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Projeto Fórum Vascular: democratização do conhecimento médico

Autor:: 
Alexandre Amato

Projeto Fórum Vascular: democratização do conhecimento médico
*Prof. Dr. Alexandre Campos Moraes Amato, Doutor em Ciências pela FM-USP (Universidade de São Paulo); Professor de Cirurgia Vascular da UNISA (Universidade Santo Amaro); Cirurgião Vascular, Endovascular e Ecografista Vascular pela AMB, SBACV (Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular) e CBR (Colégio Brasileiro de Radiologia); TCBC Cirurgião Geral pelo CBC (Colégio Brasileiro de Cirurgiões); MBA em Gestão de Saúde pela FGV
*Dr. Fabiano Luiz Erzinger, Mestre em Cirurgia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR); Membro Titular da SBACV; Cirurgião Vascular e Endovascular do Instituto da Circulação em Curitiba-PR
*Dr. Walter Jr. Boim de Araujo, Mestre e Doutor em Cirurgia pelaUniversidade Federal do Paraná (UFPR); Membro Titular da SBACV e SOBRICE; Angiorradiologista e Cirurgião Endovascular do Hospital de Clínicas da UFPR; Cirurgião Vascular, Endovascular, Ecografista Vascular e Radiologista Intervencionista do Instituto da Circulação em Curitiba - PR
 
O Projeto Fórum Vascular começou despretensiosamente. Nem um projeto era. Nunca foi planejado. Havia grupos locais. Clubes de revista e reuniões de departamento, que, apesar de sustentarem a educação continuada dos médicos por décadas (talvez séculos), tinham um problema grave e, até então insolúvel: o vício de informação, a troca apenas esporádica com grupos externos e a reciclagem de ideias internas, sem a miscigenação do DNA das ideias. Assim como na genética, o cruzamento de ideias internas é muito menos poderoso do que o cruzamento com ideias externas. Alguns grupos isolavam-se propositadamente, outros grupos eram isolados pelas circunstâncias. Outros médicos, isolados geograficamente, nem a oportunidade de trocarem experiências tinham.
Há 50 anos exatamente nascia a internet. Ferramenta essencial para facilitar a comunicação entre as pessoas. Grupos online, desde as BBS (Bulletin Board Systems), evoluíram para IRC e depois para fóruns em websites. Olhando retrospectivamente, percebemos que a Medicina sempre teve a necessidade de troca de informações latente, com várias tentativas de formação de grupos. Teve um momento que entramos em contato com um livro que chamou muita atenção: “As 100 questões do fórum cibernético vascular”. Resumidamente, como alguns aqui não devem ter tido a oportunidade de conhecer, ele foi escrito pelo Dr. Bonno Van Bellen, como materialização em forma de livro de um grupo de discussão criado por um grupo de e-mail durante o início da internet. Achamos muito interessante. Com o único recurso que tinham na época (grupo de e-mail), conseguiram reunir vários colegas de renome e também profissionais do dia a dia de diversas regiões do país e até do mundo, e criar grandes discussões fundamentando uma forma de aprendizado interessante, através de casos clínicos e em tempo real. Mas, o mundo não estava pronto para tamanha troca de informações. Questões legais levaram o fórum à extinção.
Um grupo de amigos médicos cirurgiões vasculares, próximos em ideias, mas longe em distância física, incomodados com a tradicional via de mão única do fluxo de informações nos congressos e eventos tradicionais, sentiu a necessidade de realizar discussões “mais pé no chão”, com trocas bilaterais, com profissionais que enfrentavam o dia a dia real da especialidade, principalmente, sem estrelismos e sem influência da indústria na emissão de suas opiniões. Como cirurgiões do mundo real, sabemos das dificuldades de infraestrutura em nosso país, sabemos das dificuldades reais de alguém que ainda está lutando para ter um fleboextrator liberado e, nos congressos, só se fala de termoablação. Esse tipo de discussão não entra na vitrine de um congresso, mas a solução adotada em um canto do Brasil pode auxiliar em outro canto. Vide recentemente a disseminação rápida da espuma de polidocanol. Antes restrita a alguns serviços, rapidamente atingiu ampla dispersão.
Agora, o momento era propício e tudo estava mais fácil, a internet já tinha avançado muito e começavam as redes sociais. Nessa oportunidade, tivemos o contato também com um já extinto Endovascular Fórum (que era muito bom, embora não totalmente desligado da influência da indústria). Seria necessária a chegada e disseminação do Facebook, com a padronização de um fórum sem necessidade de conhecimento técnico. Nesse momento, criamos o Fórum Vascular no Facebook, que embora também muito interessante, principalmente no seu início, teve algumas questões que nos preocupavam, sendo que a principal delas foi a proporção muito grande de adeptos (hoje, conta com 2.692 membros), numa plataforma onde o virtual é muito forte dando a possibilidade inclusive de perfis fake. Com isso, veio principalmente a preocupação legal, com a exposição de casos sem autorização e a inclusão de perfis fake, de não médicos.
Com o surgimento do WhatsApp, parecia que muita coisa poderia melhorar. O perfil era confiável, evidenciando o próprio número de telefone do colega. Tínhamos grupos somente formados com médicos especialistas, nos dando um respaldo legal maior, já que esse tipo de discussão de casos entre colegas é permitido pela legislação atual e a segurança de duas pontas que o WhatsApp oferecia. Mas, nos preocupava a invasão de privacidade pessoal de cada um, no sentido de que as mensagens entravam no celular pessoal, num tempo em que essa invasão já é muito massiva. Nessa época, chegamos a criar o grupo do Fórum e o cancelamos pelo menos duas vezes, até que por insistência dos colegas, resolvemos mantê-lo dessa maneira que se encontra hoje.
Depois que o grupo do Fórum no Whatsapp começou a ganhar adeptos, percebemos o fluxo constante de informações, ideias e, consequentemente, relatos de casos. Qualquer um que tinha uma dúvida, uma curiosidade ou um caso interessante, postava seu caso e tinha quase que instantaneamente uma revisão de pares. Pares interessados e descompromissados de interesses comerciais. Verdadeiras opiniões pessoais. Hoje, no WhatsApp, temos: quatro grupos de Casos Clínicos Vasculares Gerais, três de Espuma Ecoguiada, dois de Laser Transdérmico, um de Termoablação Venosa, um de Transplante e Acessos, um de Docentes em Vascular, um de Honorários Vasculares e um Fórum Vascular Social, que totalizam em torno de 2100 membros.
A linha foi traçada. Uma linha de excelência. Na obscuridade do isolamento, sem ter com quem trocar experiências, não há incentivo para melhorar, não há comparações, e, às vezes precisamos reinventar a roda que já foi inventada em outro local. Não há mais barreiras na troca de informações. Não há espaço para aquele que “sonega informação”. Não há espaço para aquele que o ego não permite aprender com os outros. Todos têm algo a ensinar e algo a aprender. Ao ver experiências positivas e colegas com dificuldades semelhantes resolvendo problemas com a inventividade característica de nossa cultura, percebemos que todos começaram a usar o fórum para desenvolvimento pessoal e profissional. Elevando a excelência da especialidade em nosso país. Às vezes, apenas a citação de uma doença rara, desencadeia um levantamento bibliográfico e aprofundamento em questões obscuras, mas extremamente úteis na prática. E assim, uma ferramenta de comunicação transformou-se em uma excelente ferramenta de ensino e educação continuada. Autoalimentada. E com vida própria.
Podemos dizer, com toda tranquilidade, que aprendemos mais nos grupos do Fórum de WhatsApp do que em qualquer livro-texto nos últimos anos. Mas, além disso, fizemos amigos virtuais e reais. Amigos que compartilham uma visão de vida que nossa especialidade nos deu.
Fórum Vascular no Facebook: https://www.facebook.com/groups/forumvascular/
Fórum Vascular no Telegram: http://bit.ly/forumvascular
 
 

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