Editorial
A Revista Cultura & Saúde é uma publicação virtual
Diretor Responsável
Prof. Dr. Irany Novah Moraes (in memoriam)
Editor
Dr. Alexandre Campos Moraes Amato
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Andreas Vesalius
Andreas Vesalius, nascido em 1514, em Bruxelas, freqüentou as universidades de Louvain, Paris e Pádua, formando-se médico em Pádua, em 1537. Antes dele, vários estudaram e descreveram a anatomia humana. Herófilo, de Alexandria, no século IV a.C., teve suas observações queimadas. Galeno, no século II d.C., teve suas observações anatômicas tão consagradas, que discordar delas era heresia, mesmo contendo muitas descrições errôneas, baseadas em animais. Mondino DeLuzzi, com sua Anothomia publicada em 1478 e escrita em 1316, passou a realizar dissecações, porém manteve os erros de Galeno. Berengario da Carpi, em 1521, encarregado da cadeira de cirurgia e anatomia em Bolonha, publicou seu livro, Comentários à Anothomia, baseado em dissecações humanas, muito embora fossem diagramas rústicos, corrigiu algumas concepções anatômicas equivocadas de Galeno.
Andréas Vesalius revolucionou o estudo da Anatomia, ao revirar ossos em cemitérios, e dissecar cadáveres em seu quarto e publicar, em 1538, aTabulae anatomicae sex, obra que pela primeira vez, em séculos, corrigiu diversos erros pequenos de Galeno, com desenhos artísticos de ossos e músculos humanos. Mudou a concepção da anatomia, que era ensinada a boa distância do cadáver e lendo textos de Galeno, dissecando ele mesmo os corpos, sem luvas, antisépticos ou soluções de conservação. Com 29 anos, em 1543, publicou De humani corporis fabrica, libri septem, mais conhecido como Fabrica, o maior livro médico já publicado, causando assombro na comunidade, por sua imponência e conteúdo. Apontou os erros insistentes de Galeno, desagradando muitos contemporâneos. O Livro 1 dedica-se ao estudo dos ossos, o livro 2 aos músculos, o livro 3 às artérias e veias, o Livro 4 ao sistema nervoso, o Livro 5 aos órgãos abdominais, o Livro 6 ao coração e pulmões e, finalmente, o Livro 7, ao cérebro. Publicou o Epítome, uma condensação do Fabrica, para que os estudantes utilizassem na mesa de dissecação.
Seus alunos e sucessores também seguiram com descobertas anatômicas. Realdo Clombo (1512-59), sucessor de Vesalius em Pádua, descreveu acuradamente a circulação sanguínea do ventrículo direito para o ventrículo esquerdo do coração, passando pelos pulmões e o próprio coração, publicando o De re anatômica. Gabriel Falópio (1525-62), sucessor de Colombo, descreveu processos anatômicos não descritos por Vesalius, como os órgãos femininos, descrevendo pela primeira vez o ovário e as trompas do útero, que levam o seu nome atualmente, e atribuiu nomes à vagina, placenta e clitóris, que antes não tinham nome. Bartolomeu Eustáquio (1520-74) escreveu um esplêndido manuscrito em 1552, esquecido por 150 anos na Biblioteca do Vaticano, publicado em 1714 pelo cardiologista Giovanni Lancisi, além de apontar erros no Fabrica, também fez observações negligenciadas por Vesalius, descrevendo corretamente o rim humano, a glândula supra-renal e a trompa que liga o ouvido médio à cavidade oral, que leva seu nome.
Vesalius mudou conceitos e relatou nova anatomia, mas isso não foi tudo, o principal foi a inovação na maneira de estudar e ensinar, mostrando o caminho para novas descobertas.
Dr Alexandre Amato
Avicena
Dr Alexandre Amato
Em árabe 'Abu 'Ali al-Hussain ibn 'Abd Allah ibn al-Hassan ibn 'Ali ibn Sina, conhecido no Ocidente como Avicena, filósofo árabe (nascido próximo a Bokhara em 980 e falecido em Hamadan, na Pérsia, em 1037), considerado um dos maiores filósofos do islamismo e conhecido como “o Filósofo dos Árabes”. Homem de grande cultura especializou-se na área médica. Com somente 16 anos, tinha estudado medicina, e sua competência era evidente. Com 18 anos, tratou e curou o príncipe Nuh ibn Mansur, após diversas tentativas de outros médicos. Ganhando confiança, proteção política e simpatia, os príncipes de Buhara liberaram o acesso à biblioteca dos governadores Samânidas, o santuário do saber árabe, na época. Foi médico, jurista, professor e ocupou cargos políticos. Escreveu cerca de 200 obras, sendo a mais importante, o Livro da Cura. Suas obras foram muito utilizadas na Idade Média. Completou a enciclopédia al-Qanun ou Cânone com 21 anos, a qual era mais considerada no seu tempo que a obra de Razés (al-Razi) ou de Galeno. Por séculos (até meados do século XVII), inclusive para os cristãos, sua obra foi estudada e traduzida por mestres, médicos e estudantes.
História da prescrição médica
Dr. Alexandre Amato

O “R” cortado (Rx) é um símbolo usado por alguns médicos no início de sua prescrição, não é um simples “R” e “x”, é um símbolo que não existe no nosso alfabeto, é um “R” itálico, com uma perna maior, com a linha do “x” cortando-a (.).
Existem várias explicações sobre sua origem. Uma dela é de que o símbolo deriva do “Olho de Horus” ou “Olho Sagrado”, um símbolo mitológico do Egito antigo, que significa proteção, restabelescimento da saúde, intuição e visão. Os egípcios usavam o símbolo para afastar o perigo, a doença e má sorte, sendo muito parecido com a abreviação “Rx”. O símbolo originou da lenda do deus egípcio Hórus (ou Harpócrates), deus do Céu, filho de Osíris (deus do Sol) e Ísis (deusa da Natureza), que lutou contra seu tio, o deus Seth (deus do Caos), assassino de seu pai, pelo trono do Egito. Numa das disputas, Seth arrancou o olho esquerdo de Hórus (a Lua), mas foram curados e sua visão restaurada, quando Thoth (deus da Sabedoria e da Mágica) uniu as partes e derramou leite de gazela. Finalmente, após 80 anos, Hórus, com sua visão restaurada, derrotou Seth e tomou o trono do Egito, reunindo novamente o Egito.
O símbolo une um olho humano com as marcas de um falcão, ou cicatrizes da restauração, pois Hórus tinha a cabeça de falcão. Tem sido usado por séculos, representando saúde e proteção.
Outra teoria, é de que deriva do latim “recipere”, significando “recuperação” ou “take, thus”e precede a prescrição de alguns médicos.
Nos tempos em que os médicos precisavam prescrever a fórmula do medicamento, e misturando e compondo seus ingredientes. A abreviação “Rx” era completada por uma afirmação como “fiat mistura” que significa “que a mistura seja feita”.
Outra teoria é de que “Rx” é uma invocação ao Deus Romano, ou ao planeta da sorte, Júpiter. Uma prece a ele, para que o tratamento seja efetivo, tanto que, em manuscritos médicos antigos, todos os Rs eram cruzados.
Talvez, o símbolo não seja muito usado em nosso País, por sermos essencialmente católicos.
Tumi
A perfuração cirúrgica do crâneo (trepanação) era comum em certas regiões do Perú, na época do império Inca (constituído pelos Quéchuas, Aimarás e outros). Para esse fim, utilizavam instrumentos de bronze e obsidiana, juntamente com anestésicos extraídos de plantas indígenas.
Um dos principais instrumentos cirúrgicos foi o “tumi”, bisturi feito de uma liga de cobre chamada champi, e que, hoje, é considerado o símbolo da medicina peruana.
Fenix
Dr. Alexandre Amato
Fênix – “A maior parte dos seres nasce de outros indivíduos, mas há uma certa espécie que se reprodruz sozinha. Os assírios chamam-na de fênix. Não vive de frutos ou flores, mas de incenso e raízes odoríferas. Depois de ter vivido quinhentos anos, faz um ninho nos ramos de um carvalho, ou no alto de uma palmeira. Nele, junta cinamomo, nardo e mirra, e com essas essências, constrói uma pira sobre a qual se coloca, e morre, exalando o último suspiro entre os aromas. Do corpo da ave, surge uma jovem fênix, destinada a viver tanto quanto a sua antecessora. Depois de crescer e adquirir forças suficientes, ela tira da árvore o ninho (seu próprio berço e sepulcro de seu pai) e leva-o para a cidade de Heliópolis, no Egito, depositando-o no templo do Sol.” OVÍDIO, poeta
